Antes de ferry boat, travessia entre Guaratuba e Matinhos era feita por pequenos barcos de família da Alemanha

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Travessia entre Guaratuba e Matinhos era feita por pequenos barcos de família da Alemanha Quando não existia ferry boat, e a Ponte de Guaratuba ainda nem era cogitada, eram pequenos barcos de madeira que tranportavam pedestres entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná. O transporte começou em 1949 e foi feito por um casal que tinha recém-chegado da Alemanha. Na época, Guaratuba era uma cidade pacata e, segundo dados do Censo de 1950 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tinha 4,4 mil habitantes. Atualmente, a população é de quase 45 mil pessoas. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp No período, o local contava com poucas opções de comércios e serviços, como escola e unidades de saúde. Nesse contexto, a família alemã de Emilio e Emilia Krüger começou a fazer esse transporte depois de vencer uma licitação do Governo do Estado. O casal veio para o Brasil em 1940, fugindo do ápice do regime nazista, na Segunda Guerra Mundial. Conforme Natalia Krüger, bisneta do casal alemão, foram com economias que trouxeram do país europeu que eles conseguiram comprar dois pequenos barcos para transportar pedestres. História das primeiras travessias foram retratadas em pintura à óleo pela bisneta do casal alemão. Na imagem, o casal Emilio e Emilia Krüger aparecem no canto superior esquerdo. Arquivo pessoal/Natalia Krüger As embarcações eram simples, com capacidade entre seis e sete pessoas, e faziam o mesmo trajeto que, anos depois, passou a ser realizado pelo ferry boat, inaugurado em 1960. Mesmo com a estrutura simples, o serviço representou um novo começo para Guaratuba ao facilitar o deslocamento entre o município e o Matinhos. “Nesses barcos, várias famílias construíram uma história com um objetivo: atravessar o município de Matinhos para Guaratuba pela baía e ali compartilhavam momentos de trabalho, passeio e rotina”, conta Natalia. Confira a evolução do ferry boat ao longo dos anos Mais histórias do Paraná: De traidor a herói nacional: Barão do Serro Azul foi maior produtor de mate no mundo 'Tarzan das Cataratas': O austríaco que desbravou as quedas apenas com uma corda O acesso a Guaratuba antes do ferry boat Antes da chegada das embarcações do ferry, Guaratuba era uma cidade isolada do restante do Paraná. Conforme Clécio Tkachechen, historiador da cidade, eram barcos que vinham de Paranaguá que descarregavam alimentos e produtos essenciais para os moradores da cidade em um trapiche. As atividades diárias, como explorar novos comércios e até ir para hospitais, eram feitas em municípios vizinhos, tudo por meio de barcos. Pintura retrata barcos que faziam os transportes entre Guaratuba e Matinhos. Na imagem, Emílio Krüger está no canto superior esquerdo. Natalia Krüger Uma das alternativas para ir até Guaratuba foi a Estrada de Garuva, que só foi aberta em 1950 e que passa por Santa Catarina (SC) para chegar ao litoral paranaense. Mas, segundo Clécio, o acesso da cidade pela estrada era difícil, visto que era de terra e, quando chovia, ficava intransitável. O caminho foi asfaltado em 1966, mas para os moradores do litoral, a travessia pela água continuou sendo uma alternativa mais rápida. A chegada do ferry boat e o desenvolvimento de Guaratuba Primeiras embarcações do ferry boat Arquivo/ Secretaria da Cultura e do Turismo de Guaratuba Com as novas opções de travessia da cidade, a população do município começou a crescer. Em consequência disso, houve uma pressão entre os moradores para que a ligação entre Guaratuba e o restante do Paraná fosse melhorada. Assim, o ferry boat foi a melhor alternativa. Feito pelo imigrante português João Lopes Rodrigues, o primeiro transporte tinha capacidade para 12 veículos e 100 pessoas. “A partir do momento em que começa a ter possibilidade de trazer mais pessoas, de movimentar mais pessoas, a cidade começou a se desenvolver mais. Conforme o tempo foi passando, a quantidade de pessoas foi aumentando e houve essa pressão no transporte”, relata Clécio. Nos dias de hoje, considerando o sistema modal mais recente, a travessia contava com seis embarcações, divididas entre ferry boats, balsas e rebocadores. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), nas temporadas de verão, mais de 1,5 milhão de pessoas atravessavam a baía com os transportes. Com o aumento da procura de pessoas pelo litoral, problemas de filas nas travessias se tornaram comuns, especialmente durante a alta temporada. Alguns acidentes também foram registrados ao longo da concessão. Apesar dos problemas pontuais, a facilidade de acesso ao município fez a cidade e o litoral se desenvolverem junto ao ferry boat. Cidade de Guaratuba Arnaldo Alves/AEN “A cidade começou a evoluir com a construção de alguns hotéis, de alguns locais para o pessoal permanecer. O próprio mercado imobiliário começou a evoluir, com várias construções. O pessoal começou a se animar em comprar algum imóvel e começar a construir”, explica o historiador. Com a inauguração da Ponte de Guaratuba nesta sexta-feira (1º), segundo o DER, as embarcações devem ser descontinuadas gradualmente até que a população se adapte ao novo modelo de travessia. Ferry Boat em 2026 RPC O sonho da Ponte de Guaratuba era previsto em Constituição Ponte de Guaratuba deve ser inaugurada nesta quarta-feira (29). Jonathan Campos/AEN Por mais que o ferry boat estivesse evoluindo e contribuindo, de alguma forma, para o crescimento da cidade, a Ponte de Guaratuba sempre esteve presente no imaginário dos moradores. A possibilidade de melhorar a integração do litoral foi discutida por décadas. Desde a promulgação da Constituição do Estado do Paraná, em 1989, previa-se que "o Estado promoverá concorrência pública entre firmas nacionais, internacionais ou grupos de empresas, para a construção de uma ponte sobre a baía de Guaratuba". O sonho começou a sair do papel em outubro de 2023, e as obras foram finalizadas em abril de 2026. A construção custou mais de R$ 400 milhões ao Governo do Paraná. Com a chegada da ponte, a expectativa é de que a rotina dos moradores seja facilitada. A ligação entre Matinhos e Guaratuba levava, em média, cerca de 25 a 30 minutos com o ferry boat. Conforme o Estado, o trajeto poderá ser feito em até dois minutos pela ponte. “Para as pessoas que trabalham em Paranaguá, Matinhos, Praia do Leste e moram em Guaratuba, é desgastante ter que passar todo dia pelo ferry boat. O ferry boat perde a beleza, porque é bonito; a passagem é um passeio. Mas para quem passa todo dia, perde o encanto”, relata Clécio. Agora o ferry se despede como símbolo de uma época, que conectou pessoas e histórias pelas águas da baía de Guaratuba, enquanto a ponte inaugura um novo capítulo para o litoral paranaense. *Assistente de produtos digitais do g1 Paraná, sob supervisão de Caio Budel. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/05/01/historia-primeiras-travessias-guaratuba-matinhos-litoral-parana.ghtml


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